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Sobre bicicletas e a vida nas cidades
02/08/2019

Um estudo recente publicado pelo CEBRAP apontou que, no contexto da capital paulista, a adesão ao uso da bicicleta representa, para quem usa ônibus, uma redução de gastos de até R$ 138 no orçamento mensal. Em se tratando da troca do automóvel pela bicicleta, o número sobe para surpreendentes R$ 451. A redução do tempo de deslocamento diário é menor em 26% das viagens de carro em viagens de até 8km motivadas a trabalho (11% do total das viagens de carro na cidade de São Paulo – o percentual é o mesmo ao observarmos as viagens de ônibus com distância semelhante). Ao trazer a mesma comparação para usuários de ônibus, o percentual de viagens que teriam sua duração reduzida é ainda mais surpreendente: 45%. Os dados ganham especial relevância ao observar que os bairros osasquenses onde há maior destinação de viagens (exceção para o Industrial Anhanguera, na zona norte) estão a menos de 8 km em linha reta dos extremos da porção urbanizada do município, ainda que a infraestrutura relativa ao transporte coletivo e ao sistema viário em Osasco seja diferente daquela existente em São Paulo. Também relevantes são os ganhos para a saúde: as chances de desenvolver doenças respiratórias e cardiovasculares são menores para quem pedala. Até mesmo a relação das pessoas com o meio onde vivem é melhor: Em São Paulo, ciclistas tendem a ter menos stress, medo de atrasar e desconforto em seus deslocamentos.Para as cidades são também muitos os ganhos. Proteger vidas é o maior deles – além do inestimável valor de aumentar as chances de pessoas chegarem aos seus destinos sem danos físicos, reduzir os acidentes de trânsito pressupõe reduzir bloqueios de faixas de rolamento para prestação de serviços emergenciais de socorro às vítimas, de forma a contribuir com a fluidez do tráfego. Ainda sobre fluidez, possibilitar o deslocamento seguro de bicicleta gera a possibilidade de transferência de modais: incentivando o uso da bicicleta, a médio/longo prazo há possibilidade de reduzir a demanda de automóveis sobre a sempre limitada rede de vias que compõe o sistema viário, de forma a melhorar a fluidez do automóvel para aqueles que realmente precisam deles e de veículos prestadores de serviço público como ambulâncias e viaturas. Em se tratando dos ônibus, a redução da superlotação é possível mas pode não acontecer, já que prefeitura e concessionárias podem articularem a redução da oferta de veículos a partir da redução de usuários). A presença constante de ciclistas traz vitalidade às ruas – contribuindo com a segurança local – e retoma a escala humana. Há ainda incontáveis ganhos para a saúde: O estudo já citado apontou que a cidade de São Paulo poderia economizar até R$ 34,4 milhões por ano no Sistema Único de Saúde (SUS) caso o potencial de uso da bicicleta fosse aproveitado ao máximo. Neste cenário, a ocorrência de doenças cardiovasculares e diabetes seria reduzida devido à atividade física. A médio e longo prazo, a expansão do uso da bicicleta contribui com a redução da emissão de CO², de forma a melhorar a qualidade do ar e, consequentemente, a redução de doenças respiratórias da população em geral. Ainda sobre saúde, em 2014, o percentual de internações decorrentes em Unidades de Tratamento Intensivo no Brasil é de 60%. Medidas que aumentem a segurança viária de todos os agentes do trânsito contribuem para reduzir este número – especialmente a redução dos limites de velocidade. O melhor aproveitamento do tempo gera também ganhos no campo da economia: A redução do tempo nos deslocamentos aliada à economia de dinheiro decorrente da redução de gastos pessoais e familiares com transporte se converteria, no contexto da capital paulista, em mais dinheiro injetado nas áreas de produtos e serviços. Ainda neste campo, a considerar os baixos gastos em compra e manutenção de bicicletas – especialmente quando comparados aos gastos mensais despendidos em tarifas de transporte coletivo ou compra e manutenção de automóveis – e o maior tempo que a população dos bairros mais pobres e distantes das imediações do centro – para onde vão a maior parte das viagens diárias no município – apoiar o uso seguro da bicicleta representa ainda a facilitação do acesso à prática de atividades físicas e o aumento das possibilidades de deslocamento às camadas de menor poder aquisitivo, de forma a contribuir com a democratização da mobilidade. Portanto, é necessário reorientar as diretrizes de mobilidade e adequar a cidade à circulação segura de bicicletas.

“expansão do uso da bicicleta contribui com a redução da emissão de CO², de forma a melhorar a qualidade do ar e, consequentemente, a redução de doenças respiratórias da população em geral.”
(Klauss Schramm)

Considerando todos esses aspectos, convidamos o leitor a experimentar usar a bicicleta. Pode até mesmo ser no fim de semana, a lazer – quando os trens da CPTM permitem carregar bicicletas a partir das 14h do sábado até o fim da operação no domingo. Em caso de indisposição ou impossibilidade, respeite o ciclista nas ruas. Isso tornará o uso da bicicleta mais seguro, de forma a incentivar a adesão de mais pessoas. Ultrapassagem apenas a 1,5 m e prioridade absoluta nas vias.

Klauss Schramm, 25 anos, estuda arquitetura, é cicloativista integrante do coletivo CiclOsasco e participa do Conselho de Mobilidade Urbana da cidade de Osasco.

Fonte: Portal Oeste
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